A Reforma Tributária está em andamento e uma das mudanças mais impactantes para as empresas brasileiras é a substituição do PIS e do COFINS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pelo CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Mas entender o que muda com o IBS e o CBS vai muito além de atualizar um código no sistema fiscal. A mudança é estrutural e afeta diretamente a forma como sua empresa apura tributos, organiza o fluxo de caixa e toma decisões financeiras e operacionais.
Empresas que não se adaptarem a tempo enfrentarão não apenas dificuldades fiscais, mas riscos reais de descapitalização e perda de competitividade.
O que são IBS e CBS e por que eles substituem o PIS e o COFINS
O IBS e o CBS são os dois novos tributos criados pela Reforma Tributária para substituir cinco impostos do modelo atual: PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS. A unificação tem como objetivo simplificar o sistema tributário brasileiro, historicamente reconhecido como um dos mais complexos do mundo.
Na prática, o IBS é de competência compartilhada entre estados e municípios, enquanto o CBS é federal. Juntos, eles seguem o modelo de tributação sobre o valor adicionado, similar ao IVA adotado em países europeus, onde o imposto incide apenas sobre o valor que cada empresa agrega ao longo da cadeia produtiva.
O período de transição está previsto para ocorrer de forma gradual entre 2026 e 2033, segundo o texto aprovado pelo Congresso Nacional. Mas os impactos na gestão das empresas começam a se manifestar muito antes do encerramento completo do modelo atual.
O que muda na prática com o IBS e o CBS
1. Forma de apuração
No modelo atual, a apuração do PIS e do COFINS varia conforme o regime da empresa, lucro real, presumido ou simples, com regras específicas para cada setor e modalidade de crédito. Com o IBS e o CBS, a apuração passa a seguir uma lógica única e centralizada, com alíquotas definidas de forma padronizada.
Para empresas que operam em múltiplos estados, isso exige uma revisão completa dos processos fiscais, uma vez que a atual complexidade do ICMS estadual será gradualmente absorvida pelo IBS.
2. Fluxo de caixa e o impacto do split payment
Um dos pontos mais críticos para as empresas é o mecanismo do split payment, pelo qual o tributo é retido automaticamente no momento da transação financeira, antes mesmo de o valor cair integralmente na conta da empresa.
Na prática, o dinheiro entra, mas não fica disponível em sua totalidade. Isso reduz o capital de giro disponível e exige um planejamento financeiro muito mais rigoroso, especialmente para empresas que já operam com margens pressionadas ou que possuem passivos tributários em aberto.
Para esse perfil de empresa, o split payment pode representar um risco operacional real se não houver uma estrutura financeira preparada para absorver essa mudança no fluxo.
3. Impacto na formação de preços
A mudança na estrutura tributária altera diretamente a composição dos custos e, consequentemente, a precificação de produtos e serviços. Empresas que não revisarem sua estrutura de preços correm o risco de operar com margens distorcidas, comprimidas ou artificialmente infladas, sem perceber.
Essa revisão precisa considerar tanto o período de transição, em que os dois sistemas coexistirão, quanto o modelo final do novo regime.
4. Gestão operacional e sistemas
Sistemas de ERP, contratos comerciais, notas fiscais, regimes de tributação e processos internos precisarão ser revisados e atualizados. A adaptação não é apenas fiscal. É operacional.
Empresas que deixarem essa atualização para o último momento enfrentarão gargalos que podem comprometer a continuidade das operações e gerar passivos por inadaptação ao novo regime.
Por que agir agora e não esperar a transição terminar
A transição entre os modelos é gradual, mas os impactos na gestão começam antes do encerramento do modelo atual. Muitas empresas ainda estão operando com base em premissas antigas, sem avaliar como o IBS, o CBS e o split payment vão afetar o seu caixa, o seu preço e a sua estrutura.
O risco não está apenas em pagar mais tributo. Está em tomar decisões financeiras e operacionais com base em informações desatualizadas, sem considerar o novo cenário que já está em vigor.
Além disso, há uma janela de oportunidade que está se fechando. Empresas que ainda não revisaram os créditos de PIS e COFINS dos últimos 60 meses podem estar deixando de recuperar valores relevantes antes que o modelo antigo seja encerrado definitivamente.
Como a Nacional atua nesse cenário
A Nacional reúne expertise jurídica, contábil e financeira para analisar o impacto da Reforma Tributária no contexto específico de cada empresa. Cada caso é diferente, e por isso não trabalhamos com soluções genéricas.
Nossa atuação envolve o mapeamento completo do cenário tributário, a identificação de riscos e oportunidades na transição, a análise do impacto no fluxo de caixa e o suporte estratégico para que as decisões sejam tomadas com base técnica, não em achismos.
Se sua empresa ainda não fez essa análise, o risco é real. E quanto antes ela acontecer, maiores as chances de adaptação sem pressão e sem custo desnecessário.
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